Papa: viagem ao Brasil é religiosa e social

No avião que o leva ao Brasil, o Papa iniciou a entrevista coletiva com os jornalistas a bordo afirmando que esta é uma viagem motivada por uma finalidade religiosa, mas atenta à situação social da América Latina. "A finalidade primordial é a quinta Conferência Episcopal da América Latina e Caribe. A viagem tem portanto um conteúdo predominantemente religioso", declarou Bento XVI. "Mas a missão religiosa da Igreja inclui a procura de soluções aos grandes problemas sociais da América Latina". O Papa havia declarado, pouco antes, que a Igreja não faz política e respeita a laicidade dos Estados. Os momentos fundamentais da visita de Bento XVI ao Brasil são, de fato, os compromissos religiosos: o encontro com jovens católicos em São Paulo, a canonização em missa campal do Frei Galvão e a abertura da Conferência Episcopal. Respondendo a perguntas de jornalistas, o Papa afirmou: "Amo muito a América Latina, e mesmo que recentemente a preocupação com o Oriente Médio, a Terra Santa e o Iraque fosse dominante, ou com os grandes sofrimentos na África, não me preocupa menos e não amo menos a América Latina, o maior continente católico do mundo e portanto a maior responsabilidade de um Papa". "Estou feliz por estar na América Latina, repetindo o empenho de Paulo VI e João Paulo II por este grande continente, para que ele se torne um continente de vida e esperança. Essa, para mim, é uma prioridade", concluiu o Papa.
O Papa fez também comentários sobre a Teologia da Libertação. Respondendo a uma pergunta sobre o lugar dessa corrente na Igreja atual, Bento XVI observou que "a situação mudou profundamente" desde que essa corrente foi criada. "É evidente que os milenarismos fáceis que acreditam poder realizar com uma revolução as condições para uma vida completa estavam errados", disse o Papa. "Isso agora é sabido por todos. A questão é como a Igreja deve estar presente na luta pela justiça: sobre isso os teólogos e sociólogos se dividem". Na Igreja, segundo Bento XVI, "há espaço para um debate legítimo sobre como criar as condições para a libertação humana e sobre como tornar eficaz a doutrina da Igreja e indicar as condições humanas e sociais, as grandes linhas em que os valores podem crescer". O Papa também afirmou que, "na Congregação para a Doutrina da Fé [que presidia antes de assumir o papado], nós procuramos empreender uma ação de discernimento para nos libertar dos falsos milenarismos e da politização".
Fonte: SIR

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